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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Câmeras na Redenção



Para conter a violência, a Prefeitura de Porto Alegre pretende instalar um aparato de câmeras de segurança no Parque Farroupilha, tradicional ponto turístico da capital gaúcha. Porém, a privacidade dos frequentadores noturnos do local acabou ganhando destaque na discussão.

Conhecido como Redenção, os 37,5 hectares do parque com árvores, playground, jardins e chafarizes, localizado ao lado do centro da cidade, está há anos no meio da discussão sobre o seu cercamento. A ideia da colocação de um portão de metal foi deixada de lado já que não houve consenso com a população. Entretanto, a utilização de câmeras de segurança, integradas a um sistema de monitoramento e vigilância da Guarda Civil Municipal já está em andamento e tem, até o momento, seis aparelhos.

Até agosto, a SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) deve se pronunciar sobre a liberação de R$ 800 mil para custear o projeto de implementação de mais 18 câmeras de vigilância na Redenção e a instalação de outras seis no Parque Marinha do Brasil, que atualmente conta com nove equipamentos.

Para a Guarda Civil Municipal, os dispositivos, equipados com infravermelho, farão uma espécie de varredura no parque, principalmente nos horários de menor movimento, como as noites e madrugadas. Entretanto, são nesses momentos em que os bosques são utilizados para encontros e programas, especialmente os oferecidos por travestis.

RESISTÊNCIA

A ideia do cercamento eletrônico está encontrando resistência entre os profissionais que trabalham a noite na Redenção, já que acreditam que as câmeras invadirão a privacidade dos frequentadores. “O cercamento é negativo, porque nunca um parque da sociedade civil deve ser cercado. As câmeras ajudam a identificar as pessoas que cometem delitos, mas minha preocupação é o que será feito com as imagens. De noite há prostituição no local. E tem clientes que não vão querer aparecer”, afirma a presidente da Associação Igualdade Rio Grande do Sul, Marcelly Malta.

De acordo com o comandante da Guarda Civil Municipal, Eliandro Oliveira de Almeida, os equipamentos de vigilância serão monitorados por servidores treinados, com o objetivo de privar os usuários do parque de constrangimentos, porém ele reitera “em relação ao trabalho dos travestis, tem lugares e lugares para tudo isso. A sociedade não quer estar perto dessas situações. Se o patrulhamento irá afugentar ou não (os frequentadores) é consequência”.

No entanto, a representante da classe reclama. “A maioria das pessoas que vão lá na madrugada é para procurar sexo, e os gays que frequentam o local, para namorar. Tem muitas pessoas públicas e conhecidas que frequentam o parque à noite e que não vão querer se expor”, avalia Marcelly. Segundo ela, principalmente de quinta a domingo, mais de 20 travestis utilizam o parque para fazer programa.

ROUBOS E FURTOS

Conforme dados da Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil, nas vias no entorno do parque, localizado no bairro Bom Fim, roubos e furtos são os crimes mais comuns. O número de roubos se mantém constante: 42, em 2007; 41, em 2008; 39, em 2009; 32, em 2010; e 47, em 2011. Já os furtos apresentaram redução: 29, em 2007; 32, em 2008; 37, em 2009; 20, em 2010; e 13 em 2011.

As câmeras auxiliarão o CEIC (Centro Integrado de Comando) – que está sendo construído e integrará informações de diversos órgãos de segurança do Estado -, proporcionando uma presença mais efetiva da Guarda Civil Municipal e da polícia no local. “O videomonitoramento vai nos respaldar a fazer ações, mas também na comprovação de que não haverá abuso de autoridade. E, se houver, poderemos identificar o servidos para que ele seja punido”, salienta Almeida.

“Temos flagrado situações em que pessoas são abordadas, mas acabamos liberando mas há casos em que é necessário o encaminhamento à delegacia. A tendência é que as demandas aumentem, já que com o aumento das câmeras, o nosso serviço vai se intensificar”, avalia o comandante da Guarda Civil Municipal.

“Sou a favor de mais segurança, mas contra o cercamento do parque, que é um local público”, afirma Marcelly. Caso seja aprovado pela SENASP, a instalação das novas câmeras deve ocorrer até o final do ano.
Fonte/Fotos: UOL

terça-feira, 12 de junho de 2012

Chassi adulterado

E aí pessoal, como vão as coisas com todos? Estão gostando do blog?

Hoje enquanto procurava notícias interessantes para poder postar aqui pra vocês, encontrei mais uma sobre campanhas publicitárias. Mais uma vez, um gay, no caso uma travesti, foi ridicularizada.

Quem acompanha o blog, deve lembrar sobre a campanha da cerveja Nova Schin que publiquei dia 28/05. Agora um outdoor da empresa INSPEC Vistorias para Transferência de Veículos causou polêmica no interior de São Paulo.

A peça publicitária faz alusão a uma travesti. A imagem de uma figura feminina é acompanhada da frase: “Carlão, 28 anos, zagueiro, adora jogar futebol” e ao lado segue “A lataria é ótima, mas o chassi pode estar adulterado. Faça sempre uma vistoria veicular”.

Como no caso da Nova Schin a ABGLT ficou indignada com o outdoor, que já considerou uma incitação ao preconceito contra a população de travestis. “Para entender nosso posicionamento, bastaria ridicularizar a personagem do outdoor por causa da cor de sua pele ou por causa de sua raça, para perceber que o conteúdo é discriminatório; não se deve utilizar-se da fragilidade de uma população para vender um produto. Isto não é condizente com o preceito constitucional da dignidade humana”, diz o documento enviado pela sociedade.

A ABGLT enviou ofício com o trecho que está acima a Zumba Propaganda, agência que criou a peça, pedindo a retirada do outdoor e uma mediação no devido caso de constrangimento público.

Fonte/Foto: A Capa
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